sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Luanda



Esta semana temos estado por Luanda. Ontem fomos jantar, também com meu primo que chegou, a um sitio onde a carne é fantástica mas passei uma noite horrivel: a vomitar e mal da barriga. Já estou melhor e, aliás, é bom mesmo que esteja porque amanhã, sexta-feira, vamos de madrugada para Huambo.
Aqui ficam umas fotos nossas e também da Marginal à noite, e de dia. É bonita, muito bonita e, durante a noite, há alguns prédios iluminados, talvez apenas nesta data, não sei, por causa da passagem de ano.






Vir a Luanda e não ver a casa do Presidente,que contrasta com a pobreza que há no fim da mesma rua, não dá!! lol. Aqui ficam umas fotos também para verem. É em Miramar.



Domingo começa o CAN-Campeonato Angolano das Nações. Angola vai parar e, como tal, será uma boa altura, durante os jogos, para se pôr gasolina, andar de carro...enfim, tudo o que aqui demora uma eternidade.As bombas de gasolina do Jumbo, são para meninos, bem como o trânsito da IC 19.... A mascote do CAN é a palanquinha, inspirada na palanca negra gigante, simbolo nacional de Angola, considerada como um dos mais belos e imponentes antilopes do mundo. A palanca vive exclusivamente em Angola. Em todo o lado se vendem equipamentos, perucas, bandeiras enfim, tudo o que esteja relacionado com o CAN. Vamos torcer por Angola :)

É impressionante como nas ruas, no meio do trânsito tudo se vende: almofadas, colheres de pau, telemóveis, rádios, mangueiras para o chuveiro, vernizes, sapatos, canecas, gravatas, rádios....é um shopping ambulante, portanto. Aqui ficam algumas imagens. Gostava de ter tirado mais mas eles não me pareceram gostar muito..por isso, fiquei-me por aqui



Tapetes para o carro

Canecas

Almofadas

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Happy New Year e Benguela II

Antes de qualquer coisa mais, um Bom Ano!! No Mussulo não havia internet e aqui, em Luanda, não tem sido fácil para carregar as coisas no blogue. A internet está muito lenta..
Se há experiência que eu adorei desde que cá estou, foi visitar o Mercado Kaponte, em Benguela. Parece que é o terceiro maior sendo, o primeiro, o famoso Roque Santeiro. Um amigo do pai deu me a Banana Ouro para experimentar e disse que nesse mercado havia fruta de todo o género e do melhor. Disse ainda que não havia qualquer problema em irmos até lá, ele mesmo e outros amigos costumavam ir ao mercado fazer compras.Realmente não houve qualquer problema, mas eramos os únicos brancos. Quando lá chegámos vieram logo miúdos que nos acompanharam, talvez km’s, sempre a correr ao lado do carro para vender sacos. Muita gente na estrada de terra, muita,muita…e olhando para os lados, tirando a pobreza toda, as coisas estavam organizadas: roupa para um lado, animais num outro, e a fruta no fim. Percorremos tudo de carro, lá conseguimos estacionar. A confusão era tanta, tanta gente à volta que fomos dois carros e as pessoas do outro carro voltaram para casa, n foram. Mal nós saímos do carro, imensos miúdos logo à nossa volta. Aqui não senti insegurança porque também ninguém mostrou receio mas tivemos de ter alguns cuidados: malas para a frente, nada de máquina (depois consegui J), e pai à frente, eu e mãe no meio e o amigo do pai atrás. Mas isto apenas até entrar no mercado. Lá dentro muito calmo, sem qualquer stress. Agora faz uma certa confusão: os miúdos a dormirem cheios de moscas, cheiro às vezes pouco agradável, lixo a 0,5m da comida que vendem, peixe que está a ser cortado numa água suja e cheia de moscas….impressionante. Não consigo explicar mas foi o que mais adorei fazer. Simplesmente porque as coisas são assim; é assim o dia a dia, para eles tudo isto é normal. É uma experiência única, por mais tonto que possa parecer. Entretanto os miúdos que andavam sempre a correr atrás do carro, acompanharam-nos. Eram 4, creio, e cada coisa que se comprava punhamos nos sacos e eles carregavam.
Naquele dia, devido à época festiva, não conseguimos a fruta toda mas o que se comprou era fantástico!



~ Mercado Kaponte, Benguela

Mercado Kaponte, Benguela

Mercado Kaponte, Benguela

Mercado Kaponte, Benguela

De seguida, como ainda não tínhamos a fruta toda, voltámos até ao centro de Benguela para o mercado. Esse é igual aos nossos:


Mercado Benguela


Passámos o resto do dia a darmos mais umas voltas por Benguela! Aqui deixo algumas imagens de Benguela, em especial para a minha tia Lenita, que deve reconhecer algumas coisas:


Avô Máximo
Avô Máximo

Avô Máximo

Cinema Kalunga, Benguela. Já só funcionam os cafés
Casa do Anão, Benguela
Entretanto fomos para Luanda, desfizemos e fizemos um novo saco para Mussulo!
Aqui a vida foi dura….muita praia, sempre reunião à volta da mesa para comer, muitos passeios de barco, muitas compras (estão sempre a passar com roupas, bikinis e panos) foi um sacrifico que teve de ser feito mas acho que todos conseguimos. A maior parte saiu da ilha bem moreno e com uns kg’s a mais. Pois é! É um paraíso, conforme vou mostrar nas fotografias, a água é quente e a casa é mesmo em cima da praia.. Com o aproximar da passagem de ano eram só barcos a chegar cheio de gente vinda de Luanda. Imensas festas nas casas, pessoas na praia mas, quando dia 1 olhámos para a praia até metia dó: sacos, garrafas, lixo…enfim. No Mussulo ganhei um amigo, o Baltasar! É um querido: cozinhava, levava-nos a passear de barco e estava-me sempre a dizer “Patrícia agora vamos com gás!”, fazia-me as batatas doce que eu tanto adoro, lia a bíblia e, obviamente, benfiquista! Aqui ficam umas imagens da dureza que foi e um bom ano para todos!!!!!!

A casa

A sacrificarmos-nos...este era um dos sacrificios duros

Vai uma banhoca?
Feijão com óleo de palma e garoupa grelhada




Caranguejos...são de chorar por mais!
Happy New Year!!!
Caldeirada de Cabrito! Estava óptima!

Baltazar, benfiquista!

Nas compras...que aborrecimento

Banco de Areia, Mussulo

Vida Dura...



quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Lobito e Benguela I


Antes de ontem foi um dia enorme, muitas horas em viagem mas vimos imensa coisa. Acordámos as 4hr45 e arrancámos direcção Lobito. Pelo caminho fomos parando para ver algumas paisagens, terras e ainda uma cachoeira.
A primeira paragem foi no Miradouro da Lua. Tem uma vista que não dá para descrever, a praia sempre a acompanhar a paisagem até perder de vista.


Vista Miradouro da Lua

Vista Miradouro da Lua
Uma coisa que notei durante os 500 km’s que fizemos foi a diferença, em curtos espaços, de paisagem: ora imenso verde, de repente árido e seco, montanhoso, com plátanos como tão depressa parecia o deserto. Impressionante. Uma imensidão de diferentes paisagens.




A paragem seguinte, depois do Miradouro da Lua, foi Cabo Ledo. Tem uma praia fantástica e um condomínio privado com umas casas para alugar. O sítio em si é um paraíso. Dá vontade de ficar por uns dias:

Cabo Ledo



As cachoeiras obrigaram-nos a fazer um desvio, ainda razoável, do destino mas valeu a pena. É uma paragem que vale mesmo.



Nos entretantos de todo este caminho fizemos paragens em duas terras: Porto Amboim e Sumbe. Do que vi até agora posso dizer que o Sumbe foi o que mais me impressionou…uma lixeira, uma pobreza irreal. Não dá para acreditar que há quem viva naquelas casas, que as coisas que têm ar abandonado estejam a funcionar, o lixo na rua, o desordenamento total. Tudo tem um ar abandonado, sujo, destruído mas…é assim. Esta terra fez me uma certa confusão. Imensa gente na estrada que nos conduz à entrada da cidade, uma rua cheia de musseques dos dois lados. Muitas crianças, adultos e animais pela estrada fora. Depois passámos por Porto Amboim. Embora dê para perceber que é uma vila pobre, não faz impressão tendo em conta o que se vê por cá. É “organizada”, as coisas não estão no caos como no Sumbe. De tudo o que vi até à data foi o que menos gostei. É muita destruição, pobreza…

Gasolineira, operacional, em Sumbe
Musseque no Sumbe

Rua em Porto Amboim

Gasolineira em Porto Amboim

Chegámos, depois de imenso tempo na estrada, ao Lobito. Adorei no Lobito, o bairro da Restinga. As casas estão “arranjadinhas”, as avenidas são enormes, o bairro é simpático. Nada choca ou impressiona aqui, como algumas coisas que já vi. Claro que se vêm muitas coisas que, para nós, não são habituais: guardas às portas, pessoas sentadas no chão à sombra mas não choca. Muito pelo contrário, porque as coisas que referi fazem parte deste povo, desta cultura: é um modo de estar. As praias cheias, famílias inteiras na praia, casas quase à beira mar muito cuidadas. Depois do Sumbe, deu gosto ver o Lobito. Á noite fomos jantar a Bengela. É perto, uns 25 minutos. A primeira impressão que tive de Bengela é que é uma cidade cheia de vida, muita gente a andar na rua, as esplanadas cheias, miúdos a bincarem em cada esquina. É uma sensação de liberdade. Não sentimos qualquer perigo, receio…nada. Jantámos um excelente arroz de marisco numa esplanada em cima do mar. Tudo óptimo.
Ontem, segunda-feira, voltámos para aquelas bandas. Fomos para uma praia espectacular: Baía Azul. Antes de irmos mesmo para a praia fomos a um miradouro. É impressionante porque estacionámos os carros e, poucos minutos depois, tínhamos cerca de 8 miúdos pequenos à nossa volta a pedirem dinheiro. O mar clarinho, com sombra das arvores na praia. Um grande dia de praia. Ainda demos um pulo à Caota, Caotinha e Praia do Alexandrino para ter uma ideia. Almoçámos, tardiamente, em Bengela e demos uma volta, ainda durante o dia. Tal como o Lobito, está uma cidade arranjada e ordenada. As avenidas são grandes, espaçosas, abertas, há jardins muito bem tratados, a igreja. Esta cidade é a que tem mais vida, do que vi até agora. Muita gente na rua em todo lado, imenso trânsito de carros e muitas motas mas também em contraste, sentimos que “está-se bem”, não se sente perigo e dá vontade de uma pessoa andar na rua! Eu acho, sinceramente, que era capaz de viver em Bengela.


Vista para Baía Azul


Praia Baía Azul
Caotinha
Entretanto ontem comi a melhores bananas que alguma vez comi na minha vida: doces e nada farinhentas! Chamam-se banana ouro e são espectaculares. Comi logo 4, fiquei almoçada e lanchada! Lol. Entretanto se houver alguém que queira um vestido de noiva exclusivo, com cheiro e pó característico de Angola basta dizerem-me. Vi a melhor loja de vestidos de noiva que existe…façam a encomenda, pela imagem.

Banana Ouro